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 Odisséia: introdução e leitura comentada
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Iconografia de Odisseu e as Sereias

Abaixo apresentamos em ordem cronológica diferentes representações das sereias, principalmente relacionadas a Odisseu. Como se pode comprovar facilmente, a imagem de uma sereia é a de um ser monstruoso, pois combina duas naturezas numa só. Tem na parte superior a forma de mulher e na inferior asas e garras de pássaro.

Na verdade a relação com os pássaros explica o belo canto que desviava os marinheiros. Elas na verdade não se situam no mar, mas numa ilha. A imagem de seres metade peixe provavelmente se formou na Idade Média, onde o peixe era um símbolo de luxuria.


Cerâmica ática de figuras negras, aprox. 520 a.C.
Berlin, Antikensammlung. Veja ampliação abaixo.

 


Sereia. Cerâmica de figuras vermelhas, aprox. 490 a.C.

Staatliche Antikensammlung, München


Jarra ateniense de figuras vermelhas, aprox. 470 a.C.
London, British Museum. Ver ampliação abaixo.


ampliar


Sereia, séc IV a.C. Staatliche Antikensammlung, München


Sereia. Estátua funerária, séc. IV a.C.
Archaeological National Museum, Athens


Cerâmica de figuras vermelhas, aprox. 475 - 450 a.C.
Berlin, Antikensammlung


Sereia tocando aulos, uma espécie de flauta dupla, para Odisseu.
Origem desconhecida


Odisseu e as sereias. Pintura mural em Pompéia, 50-75 a.C.
Detalhe do afresco mostrando Odisseu amarrado ao mastro de sua nave
e uma sereia tocando um aulos em uma rocha com inúmeros esqueletos.
London, British Museum. Créditos: Barbara McManus, 2003.


Odisseu e as Sereias. Mosaico romano de Dougga, Tunisia, séc. III d.C.
Le Musée National du Bardo

A imagem da sereia que conhecemos, um ser metade mulher metade peixe, parece ter ser originado em um influente predecessor dos bestiários do séc. V d.C., o Physiologus. Este tratado de animais e suas naturezas foi originalmente escrito em grego, em Alexandria, por autor desconhecido, entre 130 e 386 d.C. Sua tradução latina do ano 400 aproximadamente foi copiada muitas vezes e circulou amplamente em várias traduções até 1724. 
A popularidade da sereia metade peixe (mermaid) continuou na Idade Média até que a Igreja decidiu fazer algo a respeito. E por isso passou a ser um símbolo de luxuria e tentação. A história de Odisseu e as Sereias foi reinterpretada de modo que as sereias passaram a ser como as mermeids. A nave de Odisseu era um símbolo da Igreja, e o seu mastro, a cruz de Cristo. As sereias/mermeids simbolizavam a partir de então as tentações que afastavam os homens da Igreja.


Abaixo uma respresentação das sereias no Physiologus, em uma edição de 1070. Note que temos na verdade sereias-pássaro que desenvolveram uma cauda de peixe, como as mermaids medievais, mas que mantém as garras e as asas de aves.


Der Ältere Physiologus um 1070


Odisseu amarrado ao mastro. Nicolas Mignard (1606 - 1668). Fine Arts Museums of San Francisco.
Note que no séc. XVII ainda era possível encontrar representações das sereias como aves.


Les Sirens. Leon Belly, séc. XIX.
Musée de l’Hotel Sandelin in Saint Omer, France.


The Sirens and Ulysses, 1837(detail). William Etty (1787 - 1849).
Manchester Art Gallery


Ulysses and the Sirens (1891). John William Waterhouse (1849-1917). National Gallery of Victoria, Melbourne, Australia


obs.: Intarsia é um mosaico feito com peças de madeira.



Odysseus and the Sirens, 1909. Herbert James Draper. Ferens Art Gallery, Hull; Inglaterra.


"Ulises y las sirenas" . Pablo Picasso. 1947


Odysseus Listening to the Sirens. James Stewart. 2004. Coleção particular.