O
curso destina-se a todos os interessados na cultura
grega antiga e nas suas influências.
Pré-requisitos
É
necessário um conhecimento geral sobre o Mito da
Guerra de Tróia e a Ilíada. Para aqueles que não tem uma informação
preliminar sobre a Ilíada, será oferecido
dia 11 de julho de 2007, às 19h:30min uma aula
abertagratuita no StudioClio, que
apresentará uma visão geral do Mito da Guerra
de Tróia. Nela serão apresentados os antecedentes
da Guerra bem como um resumo da própria Ilíada.
Livro-texto
HOMERO.
Odisséia.
Tradução em versos de Carlos Alberto Nunes.
Ed. Ediouro.
ou
HOMERO.
Odisséia
I, Odisséia
II e Odisséia
III.
Tradução em versos de Donaldo Schüler.
L&PM Editores. 2007.
O
curso presencial Odisséia:
introdução e leitura comentada
tem um caráter introdutório,
fornecendo a pessoas sem nenhum conhecimento
prévio de literatura grega todas
as informações necessárias
a uma primeira leitura da Odisséia,
de Homero, na tradução
em versos para o português.
Para
a maioria dos especialistas a Odisséia
teria sido composta aproximadamente
no final do séc. VIII a.C., algumas
décadas depois da Ilíada,
a primeira obra literária européia
que chegou até nós pela
tradição. Homero no seu
segundo grande poema apresenta questões
essenciais ao ser humano, como sua condição
mortal, o lugar social de cada um no
mundo, os obstáculos que o herói
deve enfrentar para alcançar
seus objetivos, as relações
familiares, a oposição
entre natureza e cultura.
O
que propomos é um mergulho neste
mundo homérico, compreendendo
melhor as diferenças com nosso
próprio mundo, mas também,
a universalidade que pode estar contida
em um poema que narra o retorno do último
herói depois de terminada a Guerra
de Tróia e a retomada de seu
lar ameaçado.
Acima,
Odisseu amarrado ao mastro ouve
o canto das sereias, seres metade
mulher, metade ave (e não
peixe como se costuma pensar)
Ler
a Odisséia é
também perceber o profundo
impacto de Homero em toda a
literatura grega antiga. Várias
tragédias gregas são
de temática troiana e
dialogam com a tradição
homérica, sem segui-la
estritamente.
Ésquilo,
o primeiro grande tragediógrafo,
sintetizava seu talento por
meio de uma imagem muito gráfica,
pois dizia que havia comido
das migalhas que cairam do grande
banquete de Homero.
Mas
Homero também influenciou
autores romanos, como Virgílio,
que ao escrever o grande poema
épico latino, a Eneida,
não só expande
um episódio do final
da Guerra de Tróia, a
fuga do grande herói
troiano Enéias, mas o
estrutura em duas partes, os
seis primeiros cantos refletindo
a Odisséia,
e os seis últimos, de
tom bélico, a Ilíada.
A
marca de Homero continuou por toda a
história cultural do Ocidente,
chegando até o séc. XX,
como podemos notar, entre outros, no
Ulisses,
de James Joyce. E não só
a literatura foi influenciada por Homero,
mas temos também grandes artistas
plásticos, como David, Ingres,
Thorwaldsen, Waterhouse, que mostraram
em suas obras uma leitura visual de
temas que nos chegaram por primeira
vez pelas mãos de Homero.
Ulysses and the Sirens
(1891). John William Waterhouse (1849-1917)
National
Gallery of Victoria,
Melbourne, Australia
Nosso
hábito secular de adquirir e
ler livros pode ser um problema, às
vezes. No caso da poesia homérica
temos sempre que lembrar que o livro
era um instrumento desconhecido na época,
quando o alfabeto grego havia sido criado
pouco antes e tinha usos muito restritos.
A Ilíada e a Odisséia
eram canções compostas
ao vivo para o público, pelo
aedo, o poeta-cantor. Por esse motivo
optamos por utilizar uma tradução
em versos da Odisséia.
Existem
três em português.
Todas importantes, todas recomendáveis.
A primeira tradução,
feita no séc. XIX por Odorico
Mendes é de difícil
compreensão devido à
linguagem altamente elaborada
utilizada.
A segunda, já no séc.
XX, de Carlos Alberto Nunes, apresenta
algumas características
importantes para os objetivos
do curso. Primeiramente, embora
utilize também uma linguagem
poética especial, é
mais fácil de ser entendida
e portanto mais adequada ao caráter
introdutório deste curso.
Em segundo lugar, utliza o verso
de 16 sílabas, pouco empregado
na nossa tradição
poética, mas de sonoridade
muito semlhante ao hexâmetro
datílico, que caracterizava
a poesia épica.
A
mais recente tradução,
de Donaldo Schüler, embora
apresente uma maior liberdade
em relação ao tipo
de verso empregado, se caracteriza
por uma dicção mais
próxima ao coloquial, o
que a torna muito acessível
a um público leigo em geral
(essa tradução é
acompanhada do texto original
em grego antigo).
Poderíamos
dizer que o estilo da tradução
de Carlos Alberto Nunes está
mais próximo a como a Odisséia
seria apreciada pelos gregos do
séc. V a.C., que a consideravam
já um texto tradicional,
elevado, com palavras difíceis,
um "clássico"
para eles. Já a tradução
de Donaldo Schüler nos aproxima
de uma Odisséia
como seria percebida pelo seu
próprio público
no momento da criação,
ainda elevada e diferente da fala
do dia a dia, sem dúvida,
mas mais próxima à
oralidade cotidiana.
A
tradução de Carlos
Alberto Nunes foi editada primeiramente
pela Editora Melhoramentos e
mais recentemente pela Ediouro.
Infelizmente
está tradução
é difícil de ser
encontrada atualmente, mas os
interessados poderão
encontrá-la em livrarias
de livros usados, ou mesmo em
bibliotecas.
A
tradução de Donaldo
Schüler foi editada em
três volumes em 2007,
pela L&PM Editora, e é
de fácil aquisição.
Os volumes representariam as
três mais importantes
divisões da obra, segundo
o tradutor: Volume
I - Telemaquia; Volume
II - Regresso; Volume
III - Ítaca
Por
apresentar características literárias
muito peculiares e pertencer a uma cultura
muito diferente da nossa, será
necessária uma breve introdução
a uma série de aspectos históricos,
religiosos, mitológicos, etc.,
para que a leitura leve o participante
a um real primeiro contato com a obra.
Na tradução
de Carlos Alberto Nunes há um
prefácio cuja leitura será
mais proveitosa se feita apenas após
a leitura do poema propriamente dito.
Donaldo Shüler também apresenta
uma análise, mas ao final de
cada um dos três volumes, quando
realmente é mais proveitosa.
PROGRAMA
Obs:
dia 11 de julho haverá no StudioClio,
às 19h30, uma aula
aberta do prof. Jorge Piqué,
para o público em geral, que
será uma introdução
geral ao Mito de Tróia
e seria aconselhável que os interessados
no curso sobre a Odisséia,
que ainda não tenham essa informação
mais básica, participem.
18/07
Depois
da Ilíada e antes
da Odisséia: A
Queda de Tróia e o Retorno
dos Heróis
25/07
Análise
dos Cantos I a III da Odisséia
* os participantes sempre deverão
ler os cantos antes, para possibilitar
a discussão
01/08
Análise
dos Cantos IV a VI da Odisséia
08/08
Análise
dos Cantos VII a IX da Odisséia
15/08
Análise
dos Cantos X a XII da Odisséia
22/08
Análise
dos Cantos XII a XIV da Odisséia
29/08
Análise
dos Cantos XV a XVIII da Odisséia
05/09
Análise
dos Cantos XIX a XXI da Odisséia
12/09
Análise
dos Cantos XXII a XXIV da Odisséia
19/09
Considerações
finais
METODOLOGIA
O
curso se fundamentará na leitura
semanal da obra, e na leitura de textos
de apoio. Nos encontros semanais será
incentivada a discussão dos textos
lidos.
PROCEDIMENTOS
Na
primeira semana serão resumidos
os acontecimentos entre o final da Ilíada
e o início da Odisséia
para que os participantes possam entender
o contexto em que se dá a história.
Sabemos desses acontecimentos por outras
fontes gregas e inclusive latinas. O famoso
episódio do Cavalo de Tróia
foi transmitido principalmente pelo relato
do Canto II da Eneida, de Virgílio.
Para
aqueles que não tem um conhecimento
da história e da religião
grega, o material introdutório
será disponibilizado na web ou
como fotocópia.
Nas
oito semanas seguintes será feita
a leitura contínua da obra até
o Canto XXIV. Não serão
lidos apenas trechos, ou alguns cantos,
mas a obra completa. A cada semana serão
lidos 3 cantos* da Odisséia.
* um "canto" é cada
uma das 24 partes em que se dividem
a Ilíada e a Odisséia,
na verdade uma divisão introduzida
posteriormente, mas que segue muitas
vezes uma certa divisão "natural"
dos poemas.
A
medida que os participantes avancem
na leitura dos cantos, textos adicionais
serão disponibilizados, comentando
aspectos mais gerais, como a questão
da morte, épicas anteriores a
Homero, o herói épico,
ou as visões de Calvino e Bloom
da Odisséia. Artigos
mais específicos de revistas
especializadas, em inglês ou traduzidos,
estarão disponíveis aos
participantes como leitura complementar,
mas não-obrigatória.
PARCERIAS
Este
curso presencial é realizado
por StudioClio,
com parceria de Logosphera.com.
Nesta parceria StudioClio
oferece e administra o curso em seu
espaço e Logosphera.com
disponibiliza aos participantes material
de apoio dos cursos online em formato
web.
Os
participantes poderão simultaneamente
inscrever-se no Curso
Online Introdução à
Ilíada.
Não há um curso presencial
sobre a Ilíada no momento.
Está em planejamento um Curso
Online Introdução à
Eneida, já
que esta obra de certa forma continua
o imaginário mitológico
já conhecido dos poemas homéricos.
MATERIAL
PÚBLICO
Os
materiais do curso listados abaixo são
de caráter introdutório e estão a disposição
pública. Uma
Breve Introdução a Literatura
Grega Antiga:
um panorama sintético para situar
Homero e a Odisséia.
As três
traduções da Odisséia:
após o original grego colocamos
as traduções de Odorico
Mendes, Carlos Alberto Nunes e Donaldo
Schüler dos primeiros versos da Odisséia. A
Iconografia das Sereias:
foram reunidas nesta página várias
imagens das sereias, desde a cerâmica
grega, onde são representadas como
seres metade mulher e metade ave, até
a pintura contemporânea. Essas imagens
evidenciam indiretamente a contante presença
da Odisséia no imaginário
ocidental.
Porque
não utilizar uma tradução
em prosa da Odisséia?
Sem
dúvida uma tradução
em prosa facilita a leitura. Mas existe
uma perda importante, do ponto de vista
literário, pois a Odisséia
não é apenas uma estória
sobre um episódio da Guerra de
Tróia, é um poema, e mais
que isso, é uma canção.
Traduzir para outra língua e
imprimir essa canção em
um livro já significa um notável
distanciamento da experiência
de ouvir um poema épico. A tradução
em verso nos permite pelo menos observar
algo mais próximo, e entender
as dificuldades de se colocar a narrativa
de uma ação épica
em versos, no caso, o hexámetro
datílico.
O
participante poderá, se quiser,
também ler uma tradução
em prosa, simultaneamente, se isso
o ajudar na compreensão das
ações narradas, mas
deverá acompanhar o curso por
meio da leitura da tradução
de Carlos Alberto Nunes ou de Donaldo
Schüler. Odisséia,
trad. em prosa. Ed. Cultrix.
Não
li a Ilíada. Posso ler
a Odisséia mesmo assim?
A
leitura da Odisséia
idealmente deveria ser feita depois
da leitura da Ilíada,
já que continua o mesmo ciclo
mítico.
Haverá uma aula aberta no StudioClio
do mesmo professor no dia 11 de julho,
Para
Ler Homero, sobre os antecedentes
da Guerra de Tróia e um resumo
da Ilíada. É
aconselhável que quem não
tiver uma idéia clara da Guerra
de Tróia compareça. A
palestra é aberta a todos, com
entrada gratuita.
No primeiro encontro do curso propriamente
dito haverá uma exposição
geral sobre os acontecimentos entre
o final da Ilíada e
o início da Odisséia,
para que os participantes tenham todo
o contexto necessário a uma melhor
compreensão do poema, já
que Homero não narra de forma
linear.
Aqueles que desejarem poderão
cursar simultaneamente o Curso
Online Introdução à
Ilíada, onde igualmente
serão lidos três cantos
por semana.