senhorita
chuva
me concede a honra
desta contradança
e vamos sair
por esses campos
ao som desta chuva
que cai sobre o teclado
parem
eu confesso
sou poeta
cada manhã
que nasce
me nasce
uma rosa na face
parem
eu confesso
sou poeta
só
meu amor é meu deus
eu sou
o seu profeta
um
dia
a gente ia ser homero
a obra nada menos que uma ilíada
depois
a barra pesando
dava pra ser aí um rimbaud
um ungaretti um fernando pessoa qualquer
um lórca um éluard um ginsberg
por fim
acabamos o pequeno poeta de província
que sempre fomos
por trás de tantas máscaras
que o tempo tratou como a flores
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