O
curso Introdução à
Ilíada tem um caráter
introdutório, fornecendo a pessoas
sem nenhum conhecimento prévio
de literatura grega todas as informações
necessárias a uma primeira leitura
da Ilíada, de Homero,
na tradução em versos
para o português.
Para
a maioria dos especialistas a Ilíada
teria sido composta aproximadamente
no séc. VIII a.C., sendo portanto
a primeira obra literária européia
que chegou até nós pela
tradição. Paradoxalmente,
este primeiro poema já tematiza
de forma complexa questões fundamentais
para os seres humanos, como a morte,
a vingança, a dor. O que propomos
é um mergulho neste mundo homérico,
compreendendo melhor as diferenças
com nosso próprio mundo, mas
também, a universalidade que
pode estar contida em um poema que narra
um breve episódio, de poucos
dias de duração, ao final
de uma guerra sangrenta: o enfrentamente
entre Aquiles e Agamêmnon e suas
funestas conseqüências.
Acima,
o Sono e a Morte, alados, carregando
um guerreiro morto, sob a oriendação
de Hermes, ao centro, que era, entre
outras coisas, o condutor das almas
dos mortos.
Ler
a Ilíada é
também começar a
perceber o profundo impacto de
Homero em toda a literatura grega
antiga. Várias tragédias
gregas são de temática
troiana e dialogam com a tradição
homérica, sem segui-la
estritamente. Ésquilo,
o primeiro grande tragediógrafo,
sintetizava seu talento por meio
de uma imagem muito gráfica,
ele havia comido das migalhas
que cairam do grande banquete
de Homero. Mas Homero também
influenciou autores romanos, como
Virgílio, que ao escrever
o grande poema épico latino,
a Eneida, não
só expande um episódio
do final da Guerra de Tróia,
a fuga do grande herói
troiano Enéias, mas o estrutura
em duas partes, os seis primeiros
cantos refletindo a Odisséia,
e os seis últimos, de tom
bélico, a Ilíada.
A
marca de Homero continuou por toda a
história cultural do Ocidente,
chegando até o séc. XX,
como podemos notar, entre outros, no
Ulisses, de James Joyce. E
não só a literatura foi
influenciada por Homero, mas temos também
grandes artistas plásticos, como
David, Ingres, Thorwaldsen, Waterhouse,
que mostraram em suas obras uma leitura
visual de temas que nos chegaram por
primeira vez pelas mãos de Homero.
Nosso
hábito secular de adquirir e
ler livros pode ser um problema, às
vezes. No caso da poesia homérica
temos sempre que lembrar que o livro
era um instrumento desconhecido na época,
quando o alfabeto grego havia a pouco
sido criado e tinha usos muito restritos.
A Ilíada era uma canção
composta ao vivo para o público,
pelo aedo, o poeta-cantor. Por esse
motivo optamos por utilizar uma tradução
em versos. Existem três em português.
Todas importantes, todas recomendáveis,
mas utilizaremos uma apenas que será
lida integralmente ao longo do curso,
a de Carlos Alberto Nunes, e que apresenta
algumas características importantes
para os objetivos do curso. Primeiramente,
embora utilize uma linguagem poética
elaborada, é a mais fácil
de ser entendida e portanto mais adequada
ao caráter introdutório
deste curso. Em segundo lugar, utliza
o verso de 16 sílabas, pouco
empregado na nossa tradição
poética, mas de sonoridade muito
semlhante ao hexâmetro datílico,
que caracterizava a poesia épica.
As duas outras traduções
em verso, de Odorico Mendes e de Haroldo
de Campos, não foram esquecidas
e serão também examinadas,
mas para efeito de comparação
com a tradução de trabalho.
A
tradução de Carlos
Alberto Nunes foi editada primeiramente
pela Editora Melhoramentos e mais
recentemente pela Ediouro. No
entanto existem duas traduções
da Ilíada
por essa editora, uma em verso
e outra em prosa. Os interessados
em participar do curso deverão
necessariamente ter em mãos
a tradução em verso,
sem a qual não aconselhamos
a participação no
curso, uma vez que toda a referência
será feita a esta tradução
específica.
Infelizmente
está tradução
é difícil de ser
encontrada atualmente, mas os
interessados poderão encontrá-la
em livrarias de livros usados,
ou mesmo em bibliotecas, para
fotocopiar. Antes de inscrever-se
no curso, tenha certeza que terá
acesso a essa tradução
específica e não
a outra.
Por
apresentar características
literárias muito peculiares
e pertencer a uma cultura muito
diferente da nossa, será
necessária uma breve introdução
a uma série de aspectos
históricos, religiosos,
mitológicos, etc., para
que a leitura leve o participante
a um real primeiro contato com
a obra. Nesta tradução
existe um texto inicial, A Questão
Homérica, que aconselhamos
não ler antes de começar
o curso.
18/04:
visão geral do contexto - introdução
histórica e os deuses homéricos.
25/04:
conteúdo e forma - a guerra de
Tróia e a linguagem poética
homérica e sua tradução.
02/05:
discussão sobre os cantos I a
III.
09/05:
discussão sobre os cantos IV
a VI.
16/05:
discussão sobre os cantos VII
a IX.
23/05:
discussão sobre os cantos X a
XII.
METODOLOGIA
O
curso se fundamentará na leitura
semanal da primeira metade da obra,
e na leitura de textos de apoio. Nos
encontros semanais será incentivada
a discussão dos textos lidos.
PROCEDIMENTOS
Nas
duas primeiras semanas os participantes
terão acesso a textos sintéticos
com a informação básica,
necessária à leitura da
Ilíada. Não se
pode ler adequadamente esta obra sem
uma preparação mínima.
Estes textos introdutórios serão
sobre história, religião
e características literárias
da obra.
Nas
quatro semanas seguintesserá
feita a leitura contínua da obra
até o Canto XII. Não serão
lidos apenas trechos, ou alguns cantos.
A cada semana serão lidos 3 cantos*
da Ilíada.
*
um "canto" é cada uma
das 24 partes em que se dividem a Ilíada
e a Odisséia,
na verdade uma divisão introduzida
posteriormente, mas que segue muitas
vezes uma certa divisão "natural"
dos poemas.
A
medida que os participantes avancem
na leitura dos cantos, textos adicionais
comentando aspectos mais gerais, como
a ideologia heróica, ou o hexâmetro
datílico, serão disponibilizados.
Artigos mais específicos de revistas
especializadas, em inglês ou traduzidos,
estarão disponíveis aos
participantes como leitura complementar,
mas não-obrigatória.
PARCERIAS
Este
curso presencial é realizado
por StudioClio,
com parceria de Logosphera.com.
Nesta parceria StudioClio
oferece e administra o curso em seu
espaço e Logosphera.com apenas
disponibiliza aos participantes material
de apoio em formato web.
Porque
não podemos utilizar uma tradução
em prosa da Ilíada?
Sem
dúvida uma tradução
em prosa facilita a leitura. Mas existe
uma perda importante, do ponto de
vista literário, pois a Ilíada
não é apenas uma estória
sobre um episódio da Guerra
de Tróia, é um poema,
e mais que isso, é uma canção,
como os participantes do curso aprenderão.
Traduzir para outra língua
e imprimir essa canção
em um livro já significa um
notável distanciamento da experiência
de ouvir um poema épico. A
tradução em verso nos
permite pelo menos observar algo mais
próximo, e entender as dificuldades
de se colocar a narrativa de uma ação
épica em versos, no caso, o
hexámetro datílico.
O
participante poderá, se quiser,
também ler uma tradução
em prosa, simultaneamente, se isso
o ajudar na compreensão das
ações narradas, mas
deverá acompanhar o curso por
meio da leitura da tradução
de Carlos Alberto Nunes.
Porque
não podemos utilizar uma outra
tradução em versos da Ilíada?
Existem
outras duas traduções
em versos da Ilíada,
a de Odorico Mendes e a de Haroldo
de Campos. Ambas poderiam ser usadas
para a leitura da obra, mas o curso
foi montado a partir da tradução
de Carlos Alberto Nunes, e está
voltado a ajudar especificamente pessoas
que utilizam essa tradução.
Todas as referências ao texto
utilizam esta tradução.
Por outro lado, a tradução
de Carlos Alberto Nunes é relativamente
mais fácil que as demais e
por isso melhor para um curso introdutório.
Entretanto os participantes serão
incentivados a conhecer as outras
traduções para comparação
e inclusive, ler outra tradução
além da utilizada pelo curso.