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A Biblioteca, do Pseudo-Apolodoro
O método dos cursos de grego antigo a partir de Grego Antigo 2 utiliza essa obra para os exercícios de tradução e por isso daremos aqui uma breve explicação sobre a mesma.

A Biblioteca é o único "manual" grego de mitologia que chegou praticamente completo até nós. A composição de obras desse gênero se explica pela própria história da literatura grega.

A partir do séc. IV a.C. surgem em Atenas escolas que se baseavam nos estudos humanísticos da grande literatura grega anterior e que se dedicavam ao estudo dos mitos gregos como um meio de vincular-se ao passado.

Já em Alexandria, a partir do séc. III a.C., surge uma corrente literária que tomava o mito como motivo estético e daí a necessidade concomitante de manuais de mitologia. É como parte deste contexto que devemos entender a chamada Bibliotheca, de Apolodoro, um trabalho mitográfico, provavelmente para uso de estudantes de humanidades ou de outras pessoas interessadas, como poetas e tratadistas.

Esse acervo mitológico pretendia abarcar toda a mitologia grega, provavelmente em quatro volumes, começando por uma teogonia, mas nos chegou incompleta, pois o texto se interrompe na genealogia mítica da Ática, mais especificamente em meio às façanhas de Teseu (final do Volume 3). Felizmente em 1885 foi descoberto um códice que continua de maneira resumida as façanhas de Teseu e apresenta a linhagem de Pélops e o ciclo da Guerra de Tróia (pouco depois um segundo códice foi descoberto). Era comum que obras mais longas fossem publicadas de forma resumida, e tinham o nome de epítome, palavra grega que significa incisão, com o sentido de que seria um resultado de cortes na obra original para torná-la mais sintética (wiki). Este resumo da Biblioteca recebe por isso o nome de Epitome Vaticana.

O texto mais antigo que temos é um manuscrito do séc. XIV sob o nome de Bibliotheca do gramático Apolodoro de Atenas. Foi ele um erudito grego do séc. II a.C., filólogo em Alexandria e discípulo de Aristarco e de Diógenes da Babilônia (wiki). No entanto, sua autoria foi contestada por Carl Robert em sua tese de doutorado De Apollodori Bibliotheca (Berlin 1873) e hoje em dia se acredita que seja muito posterior, provavelmente do séc. I ou II d.C., mas por tradição a obra continua sob o nome de Apolodoro, ou de forma mais precisa, como alguns a citam, como Pseudo-Apolodoro.

O autor utilizou as mais diversas fontes para escrever este compêndio, desde Homero até outros mitógrafos de sua época, dos quais não nos chegou nenhuma obra completa ou mesmo fragmento. Como é natural em um gênero como este que tenta resumir tantas versões do mitos gregos seu estilo é conciso e seco, se o comparamos com os gêneros literários gregos mais conhecidos, como a épica e a tragédia.

Justamente essa característica de estilo permite que mesmo pessoas que estão se iniciando já possam ler um texto grego autêntico, embora com algumas adaptações, que não alteram muito o texto original.

A obra ficou muito conhecida devido à tradução inglesa de Sir James George Frazer (1854-1941), famoso antropólogo social, especializado em mito e religião. A sua tradução foi utilizada na edição do texto grego pela Loeb Classical Library, Apollodorus, The Library. Volum 1.

Links recomendados

Greciaantiga.org: boa página sobre a Biblioteca, com textos e links

Wikipedia:Biblioteca mitológica: pequeno texto em espanhol com links

Wikipedia: Bibliotheca (Pseudo-Apollodorus): pequeno texto em inglês com links

APOLLODORUS THE MYTHOGRAPHER: site dedicado a Apolodoro, criado pelo prof. Marc Huys.

Copyright © 2007 Jorge Piqué