"Quando
alguém que aprendia geometria com Euclides1
finalmente dominou o primeiro teorema", como Estobeu2
relata, "perguntou a seu professor, 'Qual é a vantagem
para mim em aprender isso?', Euclides chamou seu escravo e disse:
'Dê-lhe um níquel, garoto, já que ele precisa
ter algum proveito com o que aprende' ".
Nós
talvez estejamos tão entorpecidos quanto o aluno do geômetra
quando perguntamos porque deveríamos estudar grego. As
respostas tradicionais, é óbvio agora, falharam
em convencer-nos. Pode ser que nosso vocabulário inglês
se beneficiasse pelo conhecimento das raízes gregas,
mas certamente seria mais eficiente estudar ou as raízes
gregas ou o vocabulário inglês. Pode ser que a
gramática inglesa fosse mais fácil de aprender
se tivéssemos um conhecimento de sintaxe clássica,
mas, de novo, seria mais eficiente aprender gramática
inglesa do que se aventurar nas complexidades de um sistema
lingüístico inteiramente novo.
Como
é difícil, por exemplo, encontrar dativos em inglês
ou interpretar algumas locuções preposicionais
como genitivos. É verdade que a literatura inglesa requer
freqüentemente uma certa familiaridade com a alusão
clássica, mas tal conhecimento pode ser adquirido de
livros de mitologia clássica e da leitura dos clássicos
em tradução. Não consideremos o raciocínio
daqueles que alegam que precisamos do grego, ou do latim, para
dissecação ou disciplina: experiências infelizes
na aprendizagem de línguas clássicas desviaram
mais de um estudante da aprendizagem em geral. Não tivessem
os meios de comunicação de massa convertido o
homem de ser pensante em ser comprante, a resposta a nossa pergunta
seria auto-evidente. O grego, assim como os objetos sem preço,
não tem valor.
"O grego vale apena?" Não, não se você for
capaz de fazer essa pergunta. O grego é comunicação
com gênios, é uma experiência estética,
é, para falar simplesmente, fruição (...)
Notas
1. Matemático grego (séc. III a.C.)
2. Compilador (séc. V d.C.)
tradução
por Jorge Piqué
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